19 de julho de 2026

De JK a Lula: o maestro que o orçamento exige, por Luís Nassif

O governo Lula 4 terá que ser de definições claras sobre o futuro do país, sob pena de soçobrar no meio do mandato
Imagem gerada por ChatGPT

Seminário online “De JK a Lula” reuniu historiador Daniel Aarão Reis Filho e economista Frederico Rocha para analisar desafios do Brasil.
Brasil enfrenta interesses corporativos e políticos dispersos; orçamento pulverizado e ministérios com prioridades distintas.
Governo Lula 4 precisa definir metas claras, combater privilégios e exigir contrapartidas sociais para investimentos estrangeiros.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O seminário online “De JK a Lula”, que foi ao ar ontem pelo Projeto Brasil, da TV GGN com apoio da Emgea (Empresa Gestora de Ativos), reuniu dois especialistas renomados. Do lado político, o historiador Daniel Aarão Reis Filho, iconoclasta assumido e um dos mais influentes historiadores brasileiros da atualidade. Do lado econômico, Frederico Rocha, professor do Instituto de Economia da UFRJ e um dos principais pesquisadores do país nas áreas de economia industrial, inovação e desenvolvimento produtivo.

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O diagnóstico comum: o Brasil é um país retalhado por um conjunto enorme de interesses corporativos, políticos e empresariais. Do lado público, a Nova Indústria Brasil (NIB) precisou conviver com as estratégias próprias do BNDES, as restrições do Ministério de Minas e Energia e o papel castrador dos órgãos de controle — Tribunal de Contas, AGU etc. O orçamento está pulverizado entre interesses corporativos e a apropriação pelo Congresso e pelos lobbies. Cada ministro trabalha de acordo com suas prioridades políticas e os interesses de seus grupos.

Como se resolve isso? Com o maestro, o chefe da banda, vulgo presidente da República.

Há duas maneiras de enfrentar essas vulnerabilidades: ou acomodar ou ousar. O estilo Lula sempre foi o da acomodação: evitar conflitos, evitar mudanças estruturais. Deu certo quando a explosão das cotações das commodities engordou o orçamento público. No segundo governo Lula, todos ganharam.

Daqui para frente, porém, a regra será a escassez orçamentária. Não há mais espaço para acomodação. O governo Lula 4 terá que ser de definições claras sobre o futuro do país, sob pena de soçobrar no meio do mandato. Administrar é saber dizer não, é definir o rumo a ser seguido e os princípios a serem obedecidos por todos.

Começaria com uma série de princípios:

  1. Empresa estrangeira que quiser se instalar no país para aproveitar as terras raras e a energia verde precisará se comprometer com transferência de tecnologia, nacionalização da produção, formação de uma rede de fornecedores nacionais e investimento em desenvolvimento local.
  1. Não se aceitam mais projetos que visem exclusivamente à exploração dos recursos naturais.
  1. Todo benefício setorial precisará prever contrapartidas sociais e de emprego.
  1. O equilíbrio fiscal é objetivo nacional, com aumento da tributação sobre os mais ricos.
  1. O combate aos privilégios corporativos e ao orçamento secreto é prioridade nacional.

O passo seguinte seria formar grupos de trabalho para detalhar cada um dos projetos do novo Plano de Metas. JK também tinha seu presidencialismo de coalizão. Os grupos de trabalho definiam as orientações gerais; depois, cada ministro implementava as medidas de sua área, mas seguindo partituras previamente definidas.

A simples definição competente dos planos permitirá identificar os futuros parceiros: as multinacionais ou empresas nacionais que se enquadrarem nas pré-condições, as associações empresariais, os candidatos a fornecedores, os institutos de pesquisa, os trabalhadores.

De posse dessas armas políticas, caberá ao presidente enfrentar as bestas-feras do orçamento e dos privilégios. Saúde, Lula tem de sobra para o desafio. Vontade política, não se sabe ainda.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    17 de julho de 2026 8:52 am

    Lá vem os “dotô” do sudeste ensinar o operário nordestino , mas ele que vence as eleições …

    Para ter um 4° mandato precisa antes ganhar a eleição…

  2. J da orquestrasinfonica

    17 de julho de 2026 8:58 am

    Um maestro com músicos muitos ruins,ng mais q lula fez vários setores ganhar rios de dinheiro,essa gentalha da fiesp precisa se explicarndo pq lula é sempre o culpadi de tudo de ruim neste pais aff falam só para “akerucano”ver,precisam se explicar cara a cara q nem homem e parar de molequices neste pais,se lula não se valorizar e tomar iniciariva vai ser o eterni Judas das elites ao qual INCESSANTEMENTE queren destruilo sem dó e resistência do conformado atacado lula !!!

  3. Evandro Condé

    18 de julho de 2026 7:31 am

    Desculpe, não sei onde mostrar, mas o que segue é uma das pontas do que ocorre no judiciário.

    https://www.jota.info/stf/do-supremo/gilmar-manda-rever-indenizacao-bilionaria-que-seria-paga-pela-uniao-a-parentes-de-bornhausen

  4. Evandro Condé

    18 de julho de 2026 7:56 am

    E a propósito de se pensar no Brasil, podemos repensar em muita coisa.
    https://www.solucoesindustriais.com.br/news/economia-e-negocios/reino-unido-confirma-nacionalizacao-da-british-steel/amp/

  5. José Carlos

    18 de julho de 2026 12:33 pm

    Depois de anos de esforços do governo Lula, de 2002 até 2014, da estabilização da economia
    e do equilibrio fiscal, bem como de toda economia; veio o sistema é causou todo aquele estrago
    econômico e democrático desestabilizando o país de tal maneira, impossível de se prever.

    Enquanto o país não destruir esses sistema; financeiro, legislativo, midiático. Enquanto não
    fazê-los desmoronar às cinzas, o país vai ficar como Lula está fazendo, um verdadeiro milagre
    equilibratório entre manter as instituições democráticas, o “status” democrático e estabilizado
    do país, convivendo ainda com o sistema destruidor controlando quase tudo: mídia, sistema
    financeiro bancário e o legislativo (Congresso Nacional).

    O que está fazendo o maior estrago, e que prende qualquer governo democrático e progressista
    com metas e sonhos de desenvolvimento e crescimo, é o Congresso Nacional. Esse está tomado,
    corróido e corrompido. Não é todo ele, mas é a maioria.

    Sem legisladores progressistas, de qualidade, com esse Congresso Nacional de chacais e lobos,
    que gostam de gente má e perversa; não iremos a lugar nenhum.

    O Congresso Nacional é o alicerce do país. É a base democrática que pode impulsionar o país,
    através de um governo responsável, respeitoso e progressista. Com o Congresso Nacional apoiado
    nesse lodo humano (bolsonarista) que vemos aí, apoiados por essa mídia nojenta, mentirosa, manipuladora.
    O Brasil não vai fincar as base para voltar ao crescimento que ocorreram nos governos
    Lula, lá apartir da estabilização, mais ou menos em 2004 até 2014.

    É preciso negociar com essa corja? Com esses homens perversos e enganadores? Quem tem que
    mudar isso é o povo, votando.

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